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O Festival Internacional BNDES de Piano, com concertos no Theatro Municipal do Rio de janeiro e Escola de Música da UFRJ, é o principal destaque de nossa edição de dezembro. Nelson Freire, que faz recital de encerramento dia 11, estampa a capa.
Outro evento que a revista recomenda é a montagem da ópera “O castelo do Barba Azul”, de Bartók, dirigida por Felipe Hirsch, no Theatro Municipal. A editora Heloisa Fischer conversou com a cantora Céline Imbert sobre a ópera e sobre música em geral. Leia abaixo a íntegra da conversa com Céline.
A revista também destaca a apresentação que a Orquestra Sinfônica Brasileira fará da “Sinfonia N. 9”, de Beethoven; os concertos comemorativos dos 70 anos da Associação de Canto Coral, apresentando a “Missa de Santa Cecília”, de José Maurício Nunes Garcia; as duas apresentações do pianista russo Sasha Grynyuk na cidade, entre outros concertos recomendados.
Na seção “Notas”, o destaque vai para o novo corpo artístico da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira, criado a partir da dissidência de 37 músicos no primeiro semestre. É a OSB Ópera & Repertório, que faz três concertos em dezembro.
Na programação dia a dia, estão todas as opções de música clássica do Rio de Janeiro e Niterói.
A revista Agenda VivaMúsica! tem 20 mil exemplares de tiragem e circulação gratuita.
LEIA A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA DE CÉLINE IMBERT À AGENDA VIVAMÚSICA!
VIVAMÚSICA! – Essa montagem de “O castelo do Barba-Azul” estreou em Belo Horizonte em 2006, esteve em São Paulo em 2008 e agora chega ao Rio (dias 4, 6, 8 e 10 de dezembro, no Theatro Municipal). É pouco comum tamanha longevidade no universo operístico – a maioria das montagens ocorre uma vez, em uma cidade. A que se pode creditar tal vida longa?
CÉLINE IMBERT – Atribuo a vida longa ao trabalho espetacular de concepção do diretor Felipe Hirsch, plenamente absorvido por Daniela Thomas. Trata-se de uma montagem jamais vista. Temos aqui uma ópera muito difícil musicalmente e difícil de resolver cenograficamente. Existem sete portas no castelo, que devem ser abertas uma a uma e em cada uma há ações diferentes. Deveriam ser, então, sete cenários distintos, fora o inicial. Por ser grandiosa, é uma cenografia trabalhosa. Colocar tudo isso em um palco que não é giratório requer genialidade. Pois Daniela Thomas conseguiu colocar toda sua genialidade a serviço do espetáculo. O cenário é inteligentíssimo e deslumbrante.
Conte-nos suas impressões pessoais sobre a ópera, a montagem e sua personagem, Judith.
A ópera aborda a história do Barba-Azul. Uma história de profundidade psicológica muito grande. E, convenhamos, enredos de óperas costumam ser fracos, com exceção talvez de "Tosca" ou "Madama Butterfly". Já “O castelo do Barba-Azul” apresenta várias camadas de conflito psicológico. Homem x mulher, ignorância x conhecimento, os limites que nos permitimos ultrapassar ou não. A ópera mostra haver segredos que jamais podem ser ditos. Por outro lado, mostra também nem tudo pode ser conhecido. Indica que o conhecimento traz a liberdade, a emancipação, facilita o amor...mas a história termina mal: na ignorância, na solidão e na morte. Barba-Azul pode ser visto como o boicotador. Todos temos um Barba-Azul dentro de nós. Muitas vezes somos nossos próprios boicotadores! Além da história envolvente, a música é extremamente teatral. Isso também confere grandiosidade. Quando Bartók pede na partitura que Judith use as chaves para abrir, Felipe não me manda abrir portas, mas sim ouvir o coração do Barba-Azul. Essa é uma história das dores do ser humano.
Que palavras você diria para um frequentador habitual de ópera e para um novato a respeito da montagem.
Daria a mesma recomendação a ambos. Sugeriria que ambos fossem nos assistir com a cabeça aberta. O ouvinte tradicional sabe que não temos aqui Puccini, Verdi nem Rossini: com Bela Bartók tem-se a chance de penetrar em outra linguagem. Já o novato deve se abrir para uma arte com todos os requisitos necessários de envolvimento. Ambos vão ver algo muito novo e devem se deixar levar por isso.
Como você percebe o lugar que a ópera ocupa no Brasil hoje?
É melhor do que há duas décadas. Não há duvida que o público da música e da ópera aumentou. Aumentou e também se sofisticou. As pessoas querem saber mais, vão em busca de performances no YouTube, buscam informações adicionais na internet. E há uma infinidade de cantores jovens com vozes belíssimas. Desenvolvo uma carreira de professora e vejo garotos e garotas de 15-16 anos com vozes notáveis. Gente que, se trabalhar bem, pode virar estrela.









